terça-feira, 30 de setembro de 2008
Ah!Se eu tivesse uma máquina do tempo!
Um homem que já fora saudável e agora espera pela morte em uma cama hospitalar.
Ah!Se eu pudesse voltar no tempo!
Eu aproveitaria a vida.
Não ‘aproveitar’ como eu fazia antes.
Sempre indo a festas,bares,bordéis,cabarés...
Sempre acompanhado de cigarros,charutos e bebidas.
A vida era para mim como uma grande festa,com mulheres,risadas e bebidas.
Mas um dia,toda a boa farra acaba.Deixando muitos estragos.
E...A festa acabou para mim.
E esta deixou muitos estragos em mim.
Se eu pudesse,eu me impediria de beber tanto.
Se eu pudesse,eu me impediria de fumar tanto.
Se eu pudesse,eu me impediria de farrear tanto.
Se eu pudesse,eu me impediria de gastar meu dinheiro com prostitutas.
Se eu pudesse,eu me impediria de ir para camas com tantas mulheres.
Se eu pudesse,eu me impediria de cancelar meu noivado com ela.
Se eu pudesse,eu voltaria no tempo e me impediria de destruís minha vida.
Vida...Algo que sempre tive,mas sempre desperdicei.
E agora,depois de tanto tê-la esnobado...
Só me resta a morte.
Sim,a morte.
Uma morte lenta e dilacerante.Pouco a pouco,dia após dia.
Com o câncer a se espalhar pelo meu pulmão,causando grandes acessos de tosse seguidos de sangue.
Com várias úlceras a dilacerar a parede interna do meu estômago.
Com a herpes a irritar meus órgãos genitais.
Vou morrer logo,não sei o dia,mas vou.
Pode demorar,pode ser rápido.
Pode ser dolorido,pode ser indolor.
Pode ser com sangue,pode ser uma simples parada respiratória.
Não sei como...
Só me resta esperar.
Com imensa dor e desconforto.
Ah,se eu tivesse uma máquina do tempo!
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Boneca rejeitada .
“Estou aqui largada neste chão frio.Meu vestido está sujo e amarrotado,meu rosto está apagado e os fios de meu ralo cabelo,desbotados.A fita que os prendia foi consumida pelas traças,assim como as minhas -antes- delicadas meias de nylon.
Meu sapatinho negro e desgastado a tempos que pede graxa.Meu -antes- lindo sorriso desapareceu,assim como minha expressão de felicidade.
Se antes eu era uma linda boneca,agora não passo de um monte de lixo sujo e velho.
Ainda me lembro de quando eles me criaram.Tinham tanto cuidado comigo...
Cada palavra,cada gesto...Tudo proferido para a minha perfeita educação.
Eles me disseram o que devia seguir,aceitar e negar.
Eles me disseram como andar,ser e aparentar.
Eles me ensinaram como fingir,enganar,interpretar e mentir.
Eles me mostraram como ser perfeita,não aparentar ter erros,ser delicada,doce e amável.
Eles me deram uma mascara para esconder os medos,defeitos e incerteza que meu rosto demonstrava.
E por fim injetaram amor,alegria e felicidade em minhas veias.
Foi um árduo processo de criação.Sempre com sorrisos e palavras gentis para esconder os gestos cruéis e duros.
Frases como ’Se você não conseguiu,tudo bem’,’Todos erram,não se preocupe’ e ‘Não nos importamos com os seus erros,nós te amamos’ sempre ditas quando eu fracassava.
Mas o descontentamento e raiva estavam presentes,em cada palavra,em cada letra,em cada frase...Infectando o ambiente harmônico com sua hostilidade.
Eu sempre me senti mal quando os desapontava.Essa era a vontade deles,me fazer sentir mal para que não fracassasse novamente.
‘Você não foi feita para cometer erros’
Foram essas as palavras ditas friamente para mim.Eles me abandonaram aqui...
‘Projétil imperfeito’ É esta frase em vermelho-rejeição que marca a minha testa.”
-Anne,está na hora de ir ao psicólogo!
-Sim criadora,hora de ir ao ‘reparador de erros’.
OBS:Nada contra as pessoas que vão ao psicologo okay?Ninguém que ser rejeitado ou menosprezado por precisar de ajuda.
Talvez eu comece a postar minhas fics aqui também...Talvez seja algo legal de se fazer,sabe?
*¬*
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
How this finish?
Mas eu não me lembro.
Acho que é um mal comum entre os que estão do lado de cá.
Outra coisa da qual não me lembro é sobre minha vida.Não sei se tive uma família,se tive amigos,uma esposa,filhos,ou até mesmo colegas de bares...
Eu sempre estive tão acostumado com a solidão e com os remédios...O cheiro de soro e de talco usados no hospitais já fazem parte de mim,ou melhor,faziam.
Realmente, ao certo, não sei lhe dizer como morri...Foi algo estranho repentino, barulhento e silencioso.Consegue me entender?
Não, ninguém consegue.Nem mesmo eu.
Todos os médicos e enfermeiras que tiveram contato comigo sempre me diagnosticavam como louco.Não sou e nunca fui louco...Só porque eles não enxergavam eles.
Eles sempre estiveram ali, me fazendo companhia.Contando-me coisas sobre como é estar morto...Como enfermeiras podem deixar estranhos seres entrarem nos quartos dos pacientes?Estariam todos loucos?Ou somente eu?
Sempre fui uma pessoa de saúde frágil, e isso é fato.Sempre tive algo que apelidava de “parada”, era quando eu simplesmente perdia o fôlego e os sentidos.
Por causa disso, sempre soube que iria morrer logo.Mas não sabia como.
Os médicos diziam que era psicológico, outros diziam que era hereditário,outros ainda diziam que era puro fingimento meu.
Como eu poderia fingir ter derrames?Como eu poderia fingir vê-los?
Não acho que alguém seja capaz de se fingir e louco.Ou seria?
Não é que eu não gostasse de Mom War e de Revenge,é que eu não gostava de ser chamado de louco por causa deles...Consegue me entender?
Ainda me lembro do susto que eu tomei ao encontra-los ao lado de minha cama hospitalar.Também...Quem não iria se assustar com um esqueleto pomposo e uma mulher de mascara parados, olhando para você?
Foi logo depois de eu ter "o maior derrame que jamais ninguém iria ter",como foi apelidada minha experiência pós-morte.Totalmente um exagero...
-Olha lá, nosso mais novo seguidor está acordando!-Disse Mom War.
-Quem são vocês!?-Gritei assustado,se é que poderia gritar depois de um derrame.
-Somos os mortos que te levaram até a Parada Negra!Receba bem os seus anfitriões!-Exclamou Revenge.
-Parada Negra?Mas o que é isso?Vocês são alucinações!Me deixem em paz!-Gritei
Como uma alucinação iria me levantar da cama, e me deixar cair?Pois foi o que maldoso Revenge fez.Fazendo com que a agulha que ligava o soro a minha veia saísse, deixando vazar sangue pelo buraco criado por ela.
-Ele ainda não está pronto, seu coração ainda bate!Veja!- Exclamou Revenge.
-Isso é um fato.Senão seu sangue não estaria circulando por suas veias.Vamos logo!Temos muitos participantes para acolher!- Disse Mom War.
E assim eles me deixaram,tão rápido como em um flash sorrateiro.Logo depois de meus gritos assustados, a equipe de médicos chegaram,e ficaram apavorados ao ver que perdi sangue,mesmo sendo pouco.Afinal, sangue era algo que me dava muita dor de cabeça...Não é fácil de se encontrar o sangue tipo B negativo por aí,sabia?
Depois do episódio, eles me visitaram muitas vezes...Trazendo um pouco mais de vida(que ironia,um trocadilho tão cuel) em meus dias mais moribundos.era engraçado como Fear temia os barulhos dos saltos das enferemeiras a bater pelo piso de mámore gelado.
Pelo menos tive um pouco antes do fádigo mês, que traria consigo a morte tão ilustre e temida.
Minha saúde piorou, não agüentava mais as transfusões e aposto que todos os médicos daquele hospital já me reanimaram.Eu provavelmente superei todas as expectativas,já que no 9º derrame deveria ter perdido todos os movimento,mas acabei com uma pequena lesão nos nervos de minha perna.
Foi então que eles me deram o golpe de misericórdia.A tal chamada “injeção”, um veneno muito eficaz, que era aplicado em pacientes em estado terminal.
Todos temiam a tal burocracia,mas sabia que no fundo eles desejavam se livrar de mim.E do meu jeito doentio de olhar para o saco de soro.
No dia da minha tão esperada entrada na Parada Negra, Mom War ,Revenge,Fear e mais alguns ilustres convidados, estavam ao lado da enfermeira de cabelos negros que não parava de tremer.Alias, todos os médicos tremiam.Aquilo já estava me enchendo.
-Vamos lá!Matem-me logo!Aposto que querem me ver delirar enquanto o veneno age!
Foi então que a enfermeira,se mostrou corajosa e me deu o que eu queria.Foi uma picada dolorida,mas muito gratificante.
Tudo foi ficando preto,meio escuro...Mas tudo se clareou e os deliriois começaram.
Foi algo tão estranho!Eu via dois lugares diferentes...A sala branca e silenciosa, e a cidade cinzenta e barulhenta.De um lado pessoas, do outros seres estranhos e magníficos.De um lado silencio, do outro o rufar de tambores.E quando vi, já estava aqui.
Neste ambiente sem cor e melancólico, mas muito alegre.Ao lado de vários esqueletos e mulheres trajados especialmente para nossa marcha.
Eu também estava preparado: minha camisola hospitalar tinha uma bela medalha à lhe enfeitar,meus olhos ganharam um negro especial,que contrastava com a pálida aparência morta que ganhei.
-Eu nunca mais terei que me preocupar com nada,chega de soro,chega de falsos sorrisos complementados com palavras frias e cultas.Agora poderei me ver livre daquela cama...Livre de todos!
Uma felicidade me invadiu e me fez marchar também,com todos os outros participantes.
Todos juntos. Todos caminhando. Todos mortos. Todos cantando...
Longa vida à The Black Parade!
Gostaram?É a minha fic que está concorrendo em um site...É uma songfic sobre a música"Welcome to the black parade"...




